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sábado, 3 de março de 2012




POR ONDE PASSA A QUALIDADE
 DA EDUCAÇÃO
No dia 03 de Julho do ano passado, estreei  na blogosfera com o artigo abaixo: “EU, VOCÊ, TODOS PELA EDUCAÇÃO”. Naquela época, estávamos no 25º dia de greve. Confesso que ainda assim nutria  certa esperança de que haveria uma luz no fim do túnel; que dali a pouco a greve se encerraria, mesmo que fôssemos “mais ou menos” atendidos em nossas reivindicações; enfim, que haveria um acordo legal. Ledo engano. Depois de 63 dias parados, retornamos sem termos avançado um passo sequer nas negociações. “Pagamos?” os dias parados. Sacrificamo-nos, sacrificamos nossos alunos e seus pais; enfim, sacrificamos até o processo ensino-aprendizagem. Somente não enxerga isso aquele que não quer ver ...Tivemos que entrar na justiça para fazer valer os nossos direitos. A administração municipal, embora reconhecesse a lei Federal 11.738, que trata do Piso Salarial Nacional da Educação, não moveu uma palha sequer, seja para buscar recursos federais, seja para “apertar os cintos”, uma vez que já se gastava 97% do FUNDEB com folha de pagamento, quando só se podia gastar 60%.

Hoje, vemos que nada mudou. Ao contrário de uma tênue esperança, deparamos com uma total descrença nos políticos, principalmente na esfera federal, pela sua Omissão. Será que só os Estados e Municípios conseguem enxergar que não dá para aplicar esta lei sem que haja maiores investimentos na educação? Ao que nos parece, esta lei foi mais um engodo eleitoral, onde cada um lava as suas mãos pilaticamente.

Enquanto isso, o governo federal “faz a sua parte mal feita”, editando projetos que visam a qualidade de ensino, para aumentar o IDEB, para “fazer bonito” diante de organismos internacionais, querendo mostrar-lhes uma educação de primeiro mundo ... QUE NÃO EXISTE!. E agora, vai “doar” tablets para alunos e professores para quê? Professor precisa de salários dignos, para que, quando aposentar “com 60 anos!”, possa realmente descansar e não, fazer outros bicos, como muitos tem feito para completar a renda...

Por tudo isto, se toda a classe política não entender que é preciso, primeiramente, se MOBILIZAR para fazer valer a lei do piso nacional de salários do profissional do magistério, dentro em breve, o professor será definitivamente uma classe extinta.
... E a luta? Continua?

"Eu, Você, Todos pela Educação"


Recentemente, o Governo Federal passou a usar esse marketing para se referir aos projetos pela educação de qualidade. Tentava-se, na verdade, tapar com a peneira da hipocrisia, erros que são mais possíveis de serem consertados, a princípio, de cima para baixo, para depois partir para o coletivo. O governo do Gustavo (também acho quer os Prandini não têm nada a ver com a patacoada que se tem visto por aqui!) também resolveu aderir a tal marca, por meio da qual se procura “atacar” os pais, colocando-os como os maiores responsáveis pela indisciplina e fracasso escolares de seus filhos. Acho, sim, que boa parte da culpa é dos pais, que não foram preparados para os novos tempos auspiciados pela mudança de mentalidade. Muitos colocam uma armadura de proteção nas crianças e nos adolescentes, principalmente por meio da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, impedindo-lhes de continuar a encarar, de frente, as dificuldades para se alcançar uma maioridade responsável. Mas, daí, a fechar os olhos, como toda a classe política, para os problemas emergentes da educação, assumindo uma postura de descaso para com as questões salariais dos professores é o fim da picada; enfim, esquecer de planejar para aplicar o que está escrito na lei desde 2008, é agir como um fora-da-lei.

Os horrores acima mencionados têm contribuído, e bastante, para a desvalorização do EDUCADOR como ser humano e, portanto, digno de respeito. Enfrentamos, “secularmente”, a humilhação de um salário minguado. Muitos dos que hoje detêm o poder não se lembram que, para terem chegado onde chegaram, tiveram que se assentar em um banco escolar e precisaram de um professor.  Pior ainda é quando um professor se assenta em uma cadeira de secretário da educação e não enxerga um palmo à frente do nariz, preocupando-se apenas em atender aos próprios interesses e vaidades, traindo, renegando à sua classe, esquecendo-se de que o “poder” é passageiro.

Somos considerados agentes formadores de opinião. Mas chega uma hora em que nos vemos envoltos em um manto de desesperança, que nos faz chegar a uma deprimente conclusão: se não conseguimos sensibilizar os governantes, aqueles que têm na ponta da caneta uma solução para nossos anseios, o que vamos dizer para nossos alunos quando nos perguntarem o porquê do insucesso de nossa luta?

Essa luta por melhores salários está se transformando em uma válvula de escape da descrença. Descrença nos políticos de todas as esferas, desde os que fazem as leis aos que as executam. Não se pode ter esperança em dias melhores diante do caos em que vivemos. O que se precisa é de respeito humano, sem que haja necessidade de revolta.

Não se pode ter educação de qualidade apenas gerando projetos e planos mirabolantes. É preciso de educadores que se sintam valorizados, alunos receptivos, pais conscientes e governantes comprometidos.  Sendo assim, resta uma pergunta: Se os governantes não estão nem aí, quem está pela Educação? Com certeza, sobrará para nós, “sacerdotes sempre de plantão”, que a qualquer momento teremos que ser sacrificados na “fogueira da inquisição” por estarmos reclamando de barriga cheia.

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