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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Crônica da Saudade


 A vida, em sua misteriosa insistência, costuma desenhar caminhos que se cruzam no silêncio da saudade. Naquele sábado cedo, o adeus ao pai de um amigo nos reuniu em torno de uma reflexão profunda. Refletimos sobre o valor silencioso da humildade. Lembramos a beleza da dedicação obstinada ao trabalho, aquela dignidade de quem constrói a vida sem precisar fazer barulho.  O dia terminou com o peso dessas lembranças, mas a noite guardava um golpe ainda mais duro e inesperado. A notícia da partida de um dos nossos. Um colega que não apenas carregava essas mesmas virtudes, mas que as vestia com uma luz inteiramente sua: Eduardo Quaresma.

Falar de Eduardo é falar do espírito que mantém viva a nossa história. Naquele grupo de ex-alunos do CEJM, onde tantos de nós compartilham memórias de juventude, ele era um porto seguro e, ao mesmo tempo, um farol. Se a discussão da manhã nos fez admirar a dedicação e o trabalho, a lembrança dele nos obriga a somar a isso a alegria mais pura. Ele trabalhava, sim, e com afinco, mas o fazia com um sorriso que quebrava qualquer seriedade excessiva. Sabia que a vida é tarefa séria, mas que sem leveza ela se torna apenas um fardo.

Sua liderança nunca foi imposta pela voz alta ou pela autoridade de um dos idealizadores daquele grupo; vinha do magnetismo da sua amizade. Ele liderava agregando. No mosaico de temperamentos do nosso grupo do CEJM, ele era a cola invisível. Tinha o dom raro de fazer cada um se sentir especial, de resgatar piadas internas da época de escola e de transformar um dia comum em um reencontro festivo. Era o amigo que estendia a mão para o trabalho e abria o coração para a escuta.

Unir humildade e liderança é arte para poucos. Normalmente, o poder afasta, mas nele, aproximava. Ver esse ciclo se fechar no mesmo dia em que meditamos sobre o valor de uma vida bem vivida nos deixa um nó na garganta, mas também uma certeza. Ele partiu deixando o grupo mais silencioso, as nossas mensagens mais tristes e um vazio enorme na bancada dos ex-alunos.

Fica o exemplo. Da dedicação que ele tinha com os seus deveres, da humildade com que tratava a todos, e da alegria escancarada que fazia o grupo do CEJM 1973 parecer eterno dentro de nós. Vá em paz, querido colega, para os braços do Pai, Aquele que o amou primeiro; bem antes de você O amar. A sua passagem por esse mundo  foi brilhante, o seu trabalho e a sua liderança foi pelo afeto e a sua amizade será, para sempre, a nossa melhor memória. Foi muito bom ter convivido com você, mesmo que tenha sido por pouco tempo... e a nossa vida continua...  o "nosso" grupo continua... as Crônicas  dos nossos encontros continuarão, agora, sem o registro de sua alegre presença ... mas vc continuará para sempre em nossos corações.

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