O relógio
mal havia passado do meio-dia quando os primeiros integrantes da turma do CEJM de 1973
começaram a chegar...Se bem que as 11 horas já tinha chegado alguns que primam
pela pontualidade britânica... O jogo do Brasil contra Haiti pela Copa do Mundo
na sexta feira transformava aquele sábado em um dia especial, mas o verdadeiro
espetáculo estava prestes a acontecer longe dos gramados e das câmeras de
televisão.
Entre
comentários sobre gols, escalações e arbitragens - porque brasileiro nunca
perde a oportunidade de ser técnico da Seleção - , os antigos colegas se
reencontravam após 6 meses de histórias acumuladas... mas, a despeito disso,
confesso que não testemunhei ninguém resenhando sobre o jogo do dia anterior.
No bar do
Rômulo Rás, lugar simples e acolhedor, local escolhido para o reencontro, o
perfume da feijoada já dominava o ambiente. Era um aroma capaz de despertar
memórias tão intensamente quanto uma fotografia antiga. Sobre a mesa, panela
fumegante, couve picadinha, torresmo crocante, mandioca, amendoim salgado,
laranjas cortadas e uma farofa disputadíssima anunciavam que a tarde seria
longa.
A turma de
1973 continua carregando alguns fios de cabelos brancos, exceto o Nequinha que afirmava
não usar Tablete Santo Antônio para tingi-los; algumas rugas e até algumas
ausências dolorosas. Mas bastava alguém lembrar de um professor severo ou de
uma travessura da adolescência para que todos voltassem a ter quinze anos.
— Você
lembra quando pulávamos a cerca da escola para encontrar com nossos namorados? Relembrava
a Cidinha Resende ... inclusive da aula magistral sobre Sócrates que ela “mandou
ver” quando foi posto à prova seus conhecimentos filosóficos pela professora de Filosofia da Educação.
Enquanto os
pratos eram servidos pela segunda vez - e por alguns, pela terceira - (Eu vi,
mas não vou entregar!), as conversas passeavam por quase cinco décadas de vida.
Casamentos, filhos, netos, conquistas profissionais, doenças superadas, perdas
irreparáveis e sonhos ainda em construção.
Alguém
observou que, naquela época de 1973, ninguém imaginava que um simples grupo de
colegas de escola sobreviveria ao tempo. Afinal, cada um seguiu um caminho
diferente. Alguns mudaram de Estado, de Cidade, outros de profissão; muitos enfrentaram
batalhas silenciosas que os demais sequer conheceram.
Mas ali
estavam todos novamente... aliás, nem todos. A ausência de muitos foi sentida
por todos, com certeza. O agregado aqui, “aprovado” , como diz o Edmilson, aprendeu a gostar desta turma e se sente na obrigação
de puxar a orelha daqueles que, embalados pela Copa do Mundo, pisaram na bola não
comparecendo a esse reencontro. Logo alí embaixo...
A feijoada,
na verdade, foi apenas um pretexto. O que realmente os reunia era algo mais
raro: a amizade que resistiu ao calendário.
Enquanto a tarde avançava, Rominho comandou a festa com um repertório que mexeu com a galera fazendo-as sambar, dançar e cantar. Ao final, Eduardo Quaresma, agradeceu a Deus por oportunizar mais esse reencontro...
Brindemos
então, não à vitória do Brasil. Nem à feijoada. Brindemos ao privilégio de
ainda podermos chamar aqueles homens e mulheres de colegas de turma.
E naquele
instante ficou claro que, para a turma de 1973, a maior Copa do Mundo não
acontecia nos estádios. Acontecia ali mesmo, ao redor da mesa, onde cada
reencontro era uma vitória contra o tempo e cada abraço representava um gol
marcado pela amizade.
A feijoada
acabou. A tarde terminou.
Mas, como
sempre acontece com as melhores lembranças, ninguém foi embora levando apenas o
gosto da comida.
Todos
saíram alimentados pela saudade, pela alegria e pela certeza de que algumas
amizades, assim como certas paixões do futebol, são eternas.
ATA OFICIAL DAS AUSÊNCIAS E PRESENÇAS
AO REENCONTRO NO BAR DO RÔMULO RÁS
Todo
reencontro começa com quem veio, mas, só fica completo quando a gente começa a
falar de quem não veio. Por isso, encontrei uma maneira “educada”, no último
encontro de chamar à responsabilidade aquelas pessoas, que fazem muita falta quando
deixam de participar dos encontros tão carinhosamente planejados pela “Turma
1973”. Para não perder o costume, vamos lá...
Citarei,
primeiramente, aqueles que não participaram dos dois últimos encontros. Comecemos,
de novo, por Caetano, um dos idealizadores desse projeto. Se
continuar alheio aos encontros, vamos invadir a fazenda dele e vamos montar
barraca lá... Não nos esquecendo de Maristane, que perdeu a oportunidade de ver
o Márcio...
O
Cáril/Edilene e a Çãozinha/Marco Aurélio, embora confirmadas as presenças, aconteceram imprevistos de
ultima hora. Que pena... A Gislene não nos deu a graça de sua presença,
novamente. O Renato Drumond, definitivamente, não gosta de feijoada! Em vez de vir, na sexta feira, posta no grupo
um convite para a feijoada dos escoteiros, que iria acontecer no dia 21. Isso
bagunçou a cabeça de tanta gente...inclusive a dele! Pelo que se sabe, ele não
compareceu naquela de lá, também não...
O Genivaldo/Luciana e Eni estão falta nos dois ultimos encontros...
O
Whgtmam, até hoje está com problemas no carro (?). Elizete, colocou o nome na lista, mas ficou de
confirmar na segunda-feira dia 22: 2 dias após a feijoada!
O Rui, João Lélis/Elza e Mariana também não compareceram. A ausência deles também foi sentida por todos nós.
O Gabriel não acompanhou sua esposa Neide, pois ficou cuidando da sogra. Mais do que justificado!
Por
outro lado, tem gente nova no pedaço: Yone trouxe o seu namorado, Weliton.
Quando o pessoal já estava saindo após o encontro, o celular dela tinha sido
deixado para trás ... mas, prá que preocupar? Para onde ela ia não precisaria
dele – assim diziam as más-línguas...
Não
podemos esquecer da participação de Bernadete . Seja bem-vinda!
Agora
registraremos os nomes daqueles que vieram para matar de inveja os que não
vieram: Alzira ( festeira barra pesada ), Mileana/Luis, Angela/João (vulgo
Chico. Será o Xavier???), Margarete/Jander (descobri que ele tem um bom gosto
até na música), Cida Resende/Luis (Casal 39), Nequinha(da próxima vez trará uma
bateria extra)/Débora, Socorro/Afonso, Eduardo/Cida, Miltinho, Edmílson/Mara,
Yone/Weliton ( Ainda aguardando o resultado da enquete), Márcio/Ari,
Wilck/Mônica, Bernadete, Dorinha/Juninho, Magalhães, Edmar/Elenice, Fábio e
Neide.
Há que se lembrar daqueles que estão no grupo mas, até então, não deram o ar da graça nos encontros: Valéria, Vilma, Marinho, Meire, Osana, Letinho, Luis Carlos (cacau), Maria de Fátima, Maria Íris, Ivonete, Rogéria, Carmem, Cida Moreira, Jairo Lima, Jairo Alves e Janete.
Se eu me esqueci de alguém, perdoem-me, pois fui aceito como agregado em Junho/25.
De acordo com a ata do último encontro, somente um sonho foi realizado: O mascote com marca-passo voltou de microfone na mão cantando Carlos Gardel, agora, acompanhado pelo Rominho – matou a pau! Já, o Caetano, sumiu; as histórias continuam menos confiáveis e os vestidos mais ousados, vão ficar para uma festa de gala. Afinal de contas não combina com uma feijoada à luz do meio-dia. Aliás, vestidos ainda mais ousados é bom, mas só o espelho do wc feminino do bar não mente; São lindas! Isso basta! Já o do masculino: A Obra continua...um dia a gente chega lá...
Que
o próximo reencontro tenha:
- Caetano presente (ou assumido),
- Histórias ainda menos confiáveis.
- E um maior número de ex-alunos do grupo CEJM 1973 Porque, no fundo, é isso que nos mantém vivos, unidos e perigosamente felizes.
CEJM 1973.
Ainda juntos.
Ainda rindo.
Ainda impossíveis.
Ainda somos nós.
E isso é tudo....

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