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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Finados ... ou A Quebra de Contrato no Jardim do Éden

 


A QUEBRA DE CONTRATO NO JARDIM DO ÉDEN

O Criador estava sentado em Sua cadeira de balanço cósmica, analisando o tráfego de almas do trimestre, quando a Morte entrou no gabinete sem bater. Ela vestia aquela capa preta pesada de sempre — puro melodrama para quem atua no calor do Oriente Médio bíblico — e arrastava uma foice que, convenhamos, era um método bastante retrógado diante dos métodos modernos de parada cardíaca.

— Temos uma crise de relações públicas, Chefe — reclamou a Morte, com uma voz de folha seca sendo esmagada. — Eles estão me pintando como um monstro de novo. Escrevem poemas trágicos, inventam pílulas de colágeno para retardar os efeitos da velhice, fazem dieta contra obesidade mórbida... Tudo para fugir de mim, mas no dia de finados vão aos cemitérios visitar “vidas” ceifadas por mim ou “almas” que nem estão mais ali... Ninguém aceita que sou só o botão de Reset que o Senhor me mandou instalar.

Deus suspirou. Ele Se lembrou do projeto original do Éden. Era perfeito: pomares irrigados, nudismo sem complexos, zero burocracia e um contrato de comodato, ou seja, de empréstimo de um corpo ao espírito para a vida eterna...

— Eu avisei, não avisei? — resmungou o Todo-Poderoso, limpando os óculos metafóricos. — "No dia em que dela comerdes, certamente morrereis". Gênesis, capítulo dois, versículo dezessete. Estava no manual do usuário! Mas eles precisavam de mais antioxidantes na dieta: a maçã. Foram ouvir a serpente, que nem do departamento de consultoria era...

A Morte escorou a foice na mesa de marcenaria divina.
— Mas a culpa sobrou para mim! A teologia deles me trata como o pior dos castigos.

O olhar do Criador mudou. O humor deu lugar ao drama absoluto da existência.

— A humanidade, até hoje, não entende o sentido paradoxal da morte — disse o Criador — A introdução da mortalidade no mundo caído não foi apenas uma sentença jurídica; foi o Meu maior ato de misericórdia. (Gênesis 3:22-24)

A Morte tombou a caveira para o lado, os dentes estalando de leve.

—Misericórdia???

—Misericórdia, sim... — afirmou o Criador — uma segunda chance para eles se redimirem!


— Misericórdia... Eles choram noites inteiras quando eu chego, Senhor. O Senhor mesmo chorou no túmulo de Lázaro! ( João 35-36)

— Chorei porque a separação rasga o tecido daquilo que criei para ser unido — respondeu o Deus da Bíblia, com uma seriedade cortante. — Mas imagine se a humanidade fosse eterna em sua rebeldia. Imagine um ditador egoísta vivendo por dez mil anos. Imagine o rancor de um coração partido acumulando mágoa por milênios. A imortalidade no pecado transformaria a Terra no verdadeiro inferno. Você, Morte, é o dique que impede o sofrimento de se espalhar ao infinito.

A Morte consultou sua prancheta, pensativa.
— Entendo, Chefe. Mas e quando eu demoro a chegar? Às vezes o corpo deles falha, o sofrimento se estende por anos em uma cama, e o Senhor me segura no leste da cidade. Eles acham que eu sou cruel por demorar...

Deus olhou para as feridas invisíveis de Suas próprias mãos, antecipando o calvário.


— A demora também tem suas razões nas entrelinhas do Meu Livro. Há quem precise desse tempo de provação. O sofrimento na carne, para alguns, funciona como o fogo do ourives citado por Malaquias 3:3. É a dor que quebra o orgulho, que esmigalha o ego até que eles entendam que não são deuses. Para muitos, esses dias longos e difíceis são a oportunidade de gastar o orgulho em vida, de se arrependerem no pó, para que atravessem o seu portal limpos e prontos para o Meu Reino. É um doloroso, mas pedagógico, processo de purificação.

— O que significa isso??? – Perguntou a Morte?

— Há quem precise do fogo do ourives para derreter o orgulho. Às vezes, seguro a sua foice porque a dor na carne é o último recurso de limpeza da alma, garantindo que o homem atravesse o seu portal despido de si mesmo, pronto para a Minha eternidade.

A cama de hospital pode ser o altar mais sagrado da Terra. É ali, na aparente derrota do corpo, que muitos pagam suas últimas dívidas com a própria vaidade e entram no Meu Reino sem nenhuma poeira do mundo nos pés.

 

— E os outros? — perguntou a Morte — Aqueles que sofrem, mas parecem lutar com uma força leonina, recusando-se a apagar a vela?

— Esses estão cumprindo uma missão maior — sorriu o Criador, com um brilho de orgulho nos olhos. — Estão vencendo você em vida antes mesmo de eu dar a ordem. Estão demonstrando a força do Espírito sobre a matéria. Pacientes que, mesmo desenganados, confortam os médicos; idosos que, na fraqueza extrema, exalam uma sabedoria que converte famílias inteiras. Eles transformam a dor em testemunho. É o que Meu servo Paulo quis dizer em 2 Corintios 12:9 com "o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Nesses versos, você não é uma derrota; você é apenas a moldura que destaca a vitória deles sobre a fragilidade humana.

— Como assim? – indagou a Morte.

— Muito simples... esses não estão apenas adiando o fim; estão desarmando você enquanto respiram. Quando um corpo frágil exala uma fé inabalável, eles provam que o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Eles vencem a morte em vida porque transformam o leito de dor em um púlpito de vitória.

Agora, não confunda resistência com teimosia, Morte! Aqueles que lutam com dignidade leonina cumprem uma última missão: transfigurar a fragilidade humana em testemunho eterno. Eles já são imortais antes mesmo de você tocá-los.

 

O silêncio teológico que se seguiu foi tão profundo que se podia ouvir o mecanismo de rotação da Terra girando lá embaixo. O drama da separação humana e o plano de resgate divino cruzavam-se naquele instante. Para consertar aquele erro de sistema provocado pela fruta, o próprio Filho do Criador teria que experimentar o gume daquela foice, provando da mesma “fraqueza”.

Mas, sendo o autor da alegria, Deus quebrou a tensão com um sorriso irônico...

— O mais divertido é ver os mortais gastando bilhões de dólares em laboratórios no Vale do Silício, na Califórnia, para tentar te hackear de vez, sendo que Eu já dei o spoiler do final do livro.

— Ah, o capítulo vinte de Apocalipse? — a Morte resmungou, sabendo exatamente onde aquela conversa ia dar.

— Exatamente. Versículo quatorze. No final de tudo, quando o novo sistema operacional do Universo for instalado, Eu vou pegar você e o Inferno e jogar os dois no Lago de Fogo. Nada pessoal, claro. Apenas um corte de despesas e obsolescência programada na nova administração do Reino.

A Morte soltou um som que parecia estar engasgada — o mais próximo que ela conseguia chegar de uma risada. Pegou a prancheta de almas e ajeitou a capa.

— Bem, já que meus dias estão contados, é melhor eu bater a minha meta de hoje. Tem um sujeito lá embaixo achando que vai viver mais de cem anos porque só come ovo e toma banho gelado às cinco da manhã; outro, aquele que já me venceu por três vezes e que agora está construindo essa lavra ... Vou lá dar um susto neles.

— Vá e faça o seu trabalho, sem pressa, Morte — sorriu o Criador, voltando para Suas planilhas de galáxias. — Mas lembre-os, com a delicadeza de quem conhece o roteiro, que a vida deles só é uma poesia bonita porque tem uma última linha — e que Eu Sou o Dono, também, do ponto final!

 

domingo, 25 de outubro de 2026

Lucca, nosso campeão!

Lucca, nosso campeão!

Hoje o dia amanheceu mais bonito,

Há festa, alegria e muita emoção!

Lucca completa dez anos de vida,

Dez anos de amor dentro do coração!

Menino esperto, inteligente,

Estudioso, dedicado e campeão,

Tem brilho nos olhos, sonhos na mente

E a bola nos pés, fazendo mágica no chão! 

No futebol, demonstra talento,

Dribla, dispara, sabe jogar,

E quando a bola chega aos seus pés,

Até dá vontade de aplaudir e gritar!

Mas tem um detalhe, meu craque querido,

Que o vovô não poderia esquecer:

Você é atleticano, meu neto,

Mas isso não muda o meu bem-querer!

Pode torcer pelo Galo à vontade,

Defender suas cores com muita paixão;

Pois o amor de um avô não tem rivalidade,

Nem perde uma disputa por causa de um campeão!

Que Deus ilumine os seus passos,

Proteja seus sonhos, seu jeito de ser,

Dê muita saúde, sabedoria e graça,

E mil lindos motivos para crescer!

Que os dez anos sejam só o começo

De uma vida bonita, feliz e abençoada;

Que você marque muitos gols nesta vida

E tenha sempre a alma iluminada!

Parabéns, Lucca, meu neto querido!

Você é um presente que Deus me mandou.

E, seja qual for o time vencedor,

O maior campeão é o vovô que ganhou

Dois tesouros preciosos. Um neto e uma netinha,

Que enchem de alegria a vida da vovó e do vovô!

 

 

 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

 

UMA VIDA INTEIRA ESCRITA A MUITAS MÃOS

 


Há encontros que duram uma hora, amizades que atravessam décadas e histórias que nem o tempo consegue apagar.

Neste Dia dos Professores, meu pensamento se volta para vocês, meus queridos ex-colegas de profissão, companheiros de tantas jornadas, com quem tive o privilégio de dividir não apenas salas de aula, reuniões pedagógicas, conselhos de classe e desafios cotidianos, mas também uma parte significativa da minha própria história.

Quando paro para pensar, percebo que não foram apenas anos de trabalho. Foram gerações de alunos, sonhos compartilhados, dificuldades superadas, projetos realizados, lágrimas discretamente enxugadas e alegrias celebradas. Foram incontáveis manhãs, tardes e noites em que entramos na escola levando conosco muito mais do que livros, cadernos e planos de aula: levávamos a esperança de contribuir para a formação de pessoas e para a construção de um mundo melhor.

Envelhecemos profissionalmente juntos, embora, no calor da convivência, nem sempre percebêssemos o tempo passar. Alguns cabelos embranqueceram, outros rarearam; os rostos ganharam as marcas das experiências vividas, e nossas vozes talvez já não tenham a mesma disposição de antigamente. Mas permanece em nós algo que o tempo não conseguiu aposentar: a capacidade de poder acreditar na educação e de reconhecer que cada aluno traz consigo uma história, um potencial e uma possibilidade de futuro.

Quantas lembranças cabem em uma sala de professores! Quantas conversas entre uma aula e outra, quantas preocupações com aquele aluno que não aprendia, quantas estratégias inventadas para despertar o interesse de uma turma! E quantas vezes, depois de um dia difícil, foi o sorriso de um colega, uma palavra de incentivo ou uma boa gargalhada que nos devolveu o ânimo para continuar na luta! Até que...

A escola, afinal, nunca foi feita apenas de paredes, carteiras, quadros e livros. Ela é feita de gente. E nós, professores, fomos construindo essa gente e, ao mesmo tempo, sendo construídos por ela. Ensinamos muito, mas também aprendemos. Formamos alunos, mas também fomos transformados por eles. E, nessa caminhada, deixamos um pouco de nós em cada pessoa que passou por nossas mãos.

Hoje, quando já não dividimos diariamente os mesmos espaços, descobrimos que a aposentadoria,  não consegue desfazer os laços construídos ao longo de tantos anos. Podemos até não nos encontrar com a frequência de antes, mas basta uma fotografia antiga, uma conversa inesperada ou a lembrança de uma história engraçada para que o passado volte a ter vida. E, por alguns instantes, somos novamente aqueles professores de outrora, cheios de planos, enfrentando desafios e acreditando que valia a pena...

Neste dia especial, quero agradecer a cada um de vocês pela companhia nessa longa travessia. Cada colega deixou sua marca em mim, seja pelo exemplo, pela competência, pela amizade, pela paciência, pela coragem ou simplesmente pela presença nos momentos em que precisávamos uns dos outros. 

Sei que nem tudo foi fácil. A educação também nos trouxe frustrações, lutas, cansaço e batalhas nem sempre reconhecidas. Mas, se hoje podemos olhar para trás com a consciência de que contribuímos para a formação de tantas pessoas, então temos motivos para sentir orgulho da nossa caminhada... por isso, o meu perfil nesse blog é: Sou professor, com muito orgulho!

E, para mim, há algo ainda mais bonito nessa história: nós não fomos apenas colegas de trabalho; fomos companheiros de uma missão que ultrapassa os limites de qualquer escola. A missão de ensinar, educar, acolher e ajudar a transformar vidas.

Neste Dia dos Professores, desejo que Deus recompense cada um de vocês por tudo o que ofereceu à educação e à sociedade. Que Ele renove nossas forças, ilumine nossos caminhos e nos conceda saúde, serenidade e alegria para desfrutarmos das sementes que plantamos ao longo da vida.

Que nunca nos falte a consciência de que uma aula pode terminar, um ano letivo chega ao fim e uma carreira pode se encerrar, mas o bem que fazemos por meio da educação continua florescendo, muitas vezes em lugares onde jamais imaginamos.

A vocês, meu abraço fraterno, minha gratidão e minha admiração! Também ao CEJM, que nunca vou esquecer: O meu segundo lar.

Se a vida profissional nos reuniu por décadas, que a amizade nos mantenha unidos por muitos anos ainda; porque o calendário pode marcar o fim de uma carreira, mas não tem autoridade para decretar o fim de uma bela história de amizade.

Que Deus abençoe cada um de vocês e faça florescer, no coração de todos nós, a certeza de que valeu a pena ensinar!

Com carinho, respeito e gratidão por tudo o que vivemos e construímos juntos.

Feliz Dia dos Professores!

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Crônica da Saudade


 A vida, em sua misteriosa insistência, costuma desenhar caminhos que se cruzam no silêncio da saudade. Naquele sábado cedo, o adeus ao pai de um amigo nos reuniu em torno de uma reflexão profunda. Refletimos sobre o valor silencioso da humildade. Lembramos a beleza da dedicação obstinada ao trabalho, aquela dignidade de quem constrói a vida sem precisar fazer barulho.  O dia terminou com o peso dessas lembranças, mas a noite guardava um golpe ainda mais duro e inesperado. A notícia da partida de um dos nossos. Um colega que não apenas carregava essas mesmas virtudes, mas que as vestia com uma luz inteiramente sua: Eduardo Quaresma.

Falar de Eduardo é falar do espírito que mantém viva a nossa história. Naquele grupo de ex-alunos do CEJM, onde tantos de nós compartilham memórias de juventude, ele era um porto seguro e, ao mesmo tempo, um farol. Se a discussão da manhã nos fez admirar a dedicação e o trabalho, a lembrança dele nos obriga a somar a isso a alegria mais pura. Ele trabalhava, sim, e com afinco, mas o fazia com um sorriso que quebrava qualquer seriedade excessiva. Sabia que a vida é tarefa séria, mas que sem leveza ela se torna apenas um fardo.

Sua liderança nunca foi imposta pela voz alta ou pela autoridade de um dos idealizadores daquele grupo; vinha do magnetismo da sua amizade. Ele liderava agregando. No mosaico de temperamentos do nosso grupo do CEJM, ele era a cola invisível. Tinha o dom raro de fazer cada um se sentir especial, de resgatar piadas internas da época de escola e de transformar um dia comum em um reencontro festivo. Era o amigo que estendia a mão para o trabalho e abria o coração para a escuta.

Unir humildade e liderança é arte para poucos. Normalmente, o poder afasta, mas nele, aproximava. Ver esse ciclo se fechar no mesmo dia em que meditamos sobre o valor de uma vida bem vivida nos deixa um nó na garganta, mas também uma certeza. Ele partiu deixando o grupo mais silencioso, as nossas mensagens mais tristes e um vazio enorme na bancada dos ex-alunos.

Fica o exemplo. Da dedicação que ele tinha com os seus deveres, da humildade com que tratava a todos, e da alegria escancarada que fazia o grupo do CEJM 1973 parecer eterno dentro de nós. Vá em paz, querido colega, para os braços do Pai, Aquele que o amou primeiro; bem antes de você O amar. A sua passagem por esse mundo  foi brilhante, o seu trabalho e a sua liderança foi pelo afeto e a sua amizade será, para sempre, a nossa melhor memória. Foi muito bom ter convivido com você, mesmo que tenha sido por pouco tempo... e a nossa vida continua...  o "nosso" grupo continua... as Crônicas  dos nossos encontros continuarão, agora, sem o registro de sua alegre presença ... mas vc continuará para sempre em nossos corações.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

A FEIJOADA DA SAUDADE II OU A COPA DO MUNDO OU NADA DISSO, GENTE!



O relógio mal havia passado do meio-dia quando os primeiros integrantes da turma do CEJM de 1973 começaram a chegar...Se bem que as 11 horas já tinha chegado alguns que primam pela pontualidade britânica... O jogo do Brasil contra Haiti pela Copa do Mundo na sexta feira transformava aquele sábado em um dia especial, mas o verdadeiro espetáculo estava prestes a acontecer longe dos gramados e das câmeras de televisão.

Entre comentários sobre gols, escalações e arbitragens - porque brasileiro nunca perde a oportunidade de ser técnico da Seleção - , os antigos colegas se reencontravam após 6 meses de histórias acumuladas... mas, a despeito disso, confesso que não testemunhei ninguém resenhando sobre o jogo do dia anterior.

No bar do Rômulo Rás, lugar simples e acolhedor, local escolhido para o reencontro, o perfume da feijoada já dominava o ambiente. Era um aroma capaz de despertar memórias tão intensamente quanto uma fotografia antiga. Sobre a mesa, panela fumegante, couve picadinha, torresmo crocante, mandioca, amendoim salgado, laranjas cortadas e uma farofa disputadíssima anunciavam que a tarde seria longa.

A turma de 1973 continua carregando alguns fios de cabelos brancos, exceto o Nequinha que afirmava não usar Tablete Santo Antônio para tingi-los; algumas rugas e até algumas ausências dolorosas. Mas bastava alguém lembrar de um professor severo ou de uma travessura da adolescência para que todos voltassem a ter quinze anos.

— Você lembra quando pulávamos a cerca da escola para encontrar com nossos namorados? Relembrava a Cidinha Resende ... inclusive da aula magistral sobre Sócrates que ela “mandou ver” quando foi posto à prova seus conhecimentos filosóficos pela professora de Filosofia da Educação.

Enquanto os pratos eram servidos pela segunda vez - e por alguns, pela terceira - (Eu vi, mas não vou entregar!), as conversas passeavam por quase cinco décadas de vida. Casamentos, filhos, netos, conquistas profissionais, doenças superadas, perdas irreparáveis e sonhos ainda em construção.

Alguém observou que, naquela época de 1973, ninguém imaginava que um simples grupo de colegas de escola sobreviveria ao tempo. Afinal, cada um seguiu um caminho diferente. Alguns mudaram de Estado, de Cidade, outros de profissão; muitos enfrentaram batalhas silenciosas que os demais sequer conheceram.

Mas ali estavam todos novamente... aliás, nem todos. A ausência de muitos foi sentida por todos, com certeza. O agregado aqui, “aprovado” , como diz o Edmilson, aprendeu  a gostar desta turma e se sente na obrigação de puxar a orelha daqueles que, embalados pela  Copa do Mundo, pisaram na bola não comparecendo a esse reencontro. Logo alí embaixo...

A feijoada, na verdade, foi apenas um pretexto. O que realmente os reunia era algo mais raro: a amizade que resistiu ao calendário.

Enquanto a tarde avançava, Rominho comandou a festa com um repertório que mexeu com a galera fazendo-as sambar, dançar e cantar. Ao final, Eduardo Quaresma, agradeceu a Deus por oportunizar mais esse reencontro...

Brindemos então, não à vitória do Brasil. Nem à feijoada. Brindemos ao privilégio de ainda podermos chamar aqueles homens e mulheres de colegas de turma.

Por falar em colegas de turma, esse encontro não estava parecendo de ex-alunos de 1973; estava mais para 68 e nem era do Centro Educacional, pois não havia nem sido planejado. É que algumas "meninas" voltaram à primeira infância: Socorro, Teresa, Alzira, Ângela, Margarete e Mileana descobriram um parquinho alí próximo do Lavras Nossas e tentaram heroicamente relembrar o passado. Difícil mesmo, foi conseguir se manter de pé...não é Alzira? 

E para quem acha que o peso da idade seca o amor, engana-se. Cida Resende/Luís depois de postarem os 39 anos de lua de mel nas redes sociais, o grupo achou por bem homenageá-los. De repente, eu me encontrei envolvido naquela trama, sem saber do porquê. Alguém teria dito que era para beijar a minha mulher e eu mandei ver... e cantei para ela a música que eu havia cantado em nosso casamento, há 42 anos atrás. Nesses encontros, o amor continua no ar...

E naquele instante ficou claro que, para a turma de 1973, a maior Copa do Mundo não acontecia nos estádios. Acontecia ali mesmo, ao redor da mesa, onde cada reencontro era uma vitória contra o tempo e cada abraço representava um gol marcado pela amizade.

A feijoada acabou. A tarde terminou.

Mas, como sempre acontece com as melhores lembranças, ninguém foi embora levando apenas o gosto da comida.

Todos saíram alimentados pela saudade, pela alegria e pela certeza de que algumas amizades, assim como certas paixões do futebol, são eternas.

ATA OFICIAL DAS AUSÊNCIAS E PRESENÇAS

AO REENCONTRO NO BAR DO RÔMULO RÁS

Todo reencontro começa com quem veio, mas, só fica completo quando a gente começa a falar de quem não veio. Por isso, encontrei uma maneira “educada”, no último encontro de chamar à responsabilidade aquelas pessoas, que fazem muita falta quando deixam de participar dos encontros tão carinhosamente planejados pela “Turma 1973”. Para não perder o costume, vamos lá...

Citarei, primeiramente, aqueles que não participaram dos dois últimos encontros. Comecemos, de novo, por Caetano, um dos idealizadores desse projeto. Se continuar alheio aos encontros, vamos invadir a fazenda dele e vamos montar barraca lá... Não nos esquecendo de Maristane, que perdeu a oportunidade de ver o Márcio...

O Cáril/Edilene e a Çãozinha/Marco Aurélio, embora confirmadas as presenças, aconteceram imprevistos de ultima hora. Que pena... A Gislene não nos deu a graça de sua presença, novamente. O Renato Drumond, definitivamente, não gosta de feijoada!  Em vez de vir, na sexta feira, posta no grupo um convite para a feijoada dos escoteiros, que iria acontecer no dia 21. Isso bagunçou a cabeça de tanta gente...inclusive a dele! Pelo que se sabe, ele não compareceu naquela de lá, também não...

O Genivaldo/Luciana e Eni estão em falta nos dois últimos encontros...

O Whgtmam, até hoje está com problemas no carro (?). Elizete, colocou o nome na lista, mas ficou de confirmar na segunda-feira dia 22: 2 dias após a feijoada! Mas não se preocupe! Nesse grupo tudo isso é perdoado. Afinal de contas, estamos todos na mesma "jangada"...

O Rui, João Lélis/Elza e Mariana também não compareceram. A ausência deles também foi sentida por todos nós.

O Gabriel não acompanhou sua esposa Neide, pois ficou cuidando da sogra. Mais do que justificado! Sogra é segunda mãe!

Por outro lado, tem gente nova no pedaço: Yone trouxe o seu namorado, Weliton. Quando o pessoal já estava saindo após o encontro, o celular dela tinha sido deixado para trás ... mas, prá que preocupar? Para onde ela ia não precisaria dele – assim diziam as más-línguas... Seja bem-vindo! Outra presença marcante foi a da Bernadete. Que a sua participação seja constante ... você brilhou!

Não podemos esquecer de registrar a ausência de Teresa, que já era sentida pela maioria, mas que, de repente, tornou-se presença para a nossa alegria; para que pudéssemos abraçá-la, como um pai acolhe e conforta o filho na hora da dor, a dizer-lhe: Nós estamos aqui. Conte conosco... ( Na escola da Surpresa, o Nequinha é o professor. Não é Teresa???)

Agora registraremos os nomes daqueles que vieram para matar de inveja os que não vieram: Alzira ( festeira barra pesada ), Mileana/Luis, Angela/João (vulgo Chico. Será o Xavier???), Margarete/Jander (descobri que ele tem um bom gosto até na música), Cida Resende/Luis (Casal 39), Nequinha(da próxima vez trará uma bateria extra)/Débora, Socorro/Afonso(Casal 42), Teresa(Está proibido marcar encontro em dias de eventos no Kennedy, antes de sua aposentadoria!) Eduardo/Cida, Miltinho, Edmílson/Mara, Yone/Weliton ( Ainda aguardando o resultado da enquete), Márcio/Ari, Wilck/Mônica, Bernadete, Dorinha/Juninho, Magalhães, Edmar/Elenice, Fábio e Neide.

Há que se lembrar daqueles que estão no grupo mas, até então, não deram o ar da graça nos encontros: Valéria, Vilma, Marinho, Meire, Osana, Letinho, Luis Carlos (cacau), Maria de Fátima, Maria Íris, Ivonete, Rogéria, Carmem, Cida Moreira, Jairo Lima, Jairo Alves e Janete.

Se eu me esqueci de alguém, perdoem-me, pois fui "aceito" como agregado em Junho/25. Por outro lado, o "alemão" está batendo em todo o mundo aqui...

De acordo com a ata do último encontro, somente um sonho foi realizado: O mascote com marca-passo voltou de microfone na mão cantando Carlos Gardel, agora, acompanhado pelo Rominho – matou a pau! Já, o Caetano, sumiu; as histórias continuam menos confiáveis e os vestidos mais ousados, vão ficar para uma festa de gala. Afinal de contas não combina com uma feijoada à luz do meio-dia. Aliás, vestidos ainda mais ousados é bom, mas só o espelho do wc feminino do bar não mente; São lindas! Isso basta! Já o do masculino: A Obra continua...um dia a gente chega lá...

Que o próximo reencontro tenha:

  • Caetano presente (ou assumido),
  • Histórias ainda menos confiáveis.
  • E um  maior número  de ex-alunos do grupo CEJM 1973, já que o grupo é bem maior... A Evasão escolar aqui está pior que nos tempos atuais...                                                                                                                                               Porque, no fundo, é isso que nos mantém vivos, unidos e perigosamente felizes.

CEJM 1973.
Ainda juntos.
Ainda rindo.
Ainda impossíveis.
Ainda somos nós.
E isso é tudo....

 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025


 

NATAL, AMIZADE E UMA LUZ QUE NÃO SE APAGA(*)

O Natal tem esse poder silencioso de nos devolver ao essencial. Entre luzes, abraços e memórias, ele nos chama a olhar para trás sem saudade amarga e para frente sem medo. Foi nesse clima que um grupo de amigos, unidos desde a adolescência, voltou a se encontrar depois de 43 anos. Amigos que um dia foram apenas meninos e meninas de 11 e 12 anos, sentados nas mesmas carteiras do CEJM, em 1973, sem imaginar o quanto a vida ainda os ensinaria.

Alguns seguiram juntos até os 14, 15 anos; outros atravessaram o ensino médio, o superior, dividiram sonhos, dúvidas e escolhas. Depois, como acontece com todos nós, a vida se encarregou de espalhá-los pelo mundo: casamentos, filhos, trabalho, sucessos, perdas, decepções, alegrias, partidas e recomeços. Cada um escreveu sua própria história, com capítulos de luta e superação, mas sem jamais apagar completamente aquele primeiro vínculo.

Hoje, esse laço se renova no grupo de WhatsApp “CEJM 1973” — uma ponte entre o ontem e o agora. Ali, as mensagens misturam risadas, lembranças, orações, notícias da vida e convites para encontros que acontecem duas ou mais vezes ao ano, sempre com o mesmo propósito: celebrar a amizade e a vida. Porque o tempo passou, mas o afeto amadureceu.

E não é por acaso que esse reencontro acontece no tempo do Natal. É justamente neste período que recordamos que Deus escolheu nascer pequeno para nos ensinar o que é grande: o amor que acolhe, a esperança que não decepciona, a fé que sustenta. Em Jesus, celebramos não apenas um nascimento, mas a promessa da ressurreição e da vida eterna, a certeza de que nada termina no amor de Deus — tudo renasce!

O Natal é a luz que chega na noite, simples como uma estrela, forte o bastante para atravessar décadas. É essa luz que também brilha na amizade construída ao longo da vida, capaz de resistir ao tempo, às distâncias e às mudanças. Uma luz que aquece o coração, ilumina as lembranças e aponta para o futuro com esperança.

Estamos agora confraternizando, agradecidos pelo passado, vivendo o presente e confiando o amanhã. Que este Natal renove em cada um de nós o amor, a fé, o respeito e a amizade, e que nunca nos falte a coragem de recomeçar, perdoar, celebrar e caminhar juntos.

Quem diria que, após 43 anos, ainda estaríamos aqui, juntos, brindando à amizade e à vida? É um milagre, meus amigos!

Que emoção!  É incrível pensar que após 43 anos, um grupo de amigos que estudaram juntos na adolescência se reencontram para celebrar a amizade e a vida!  O grupo CEJM 1973 é um testemunho da força dessa conexão que vai além do tempo e da distância.

Cada um seguiu seu caminho, enfrentou desafios, conquistou vitórias e superou perdas, mas a chama da amizade permaneceu acesa. E agora, ao se reunirem novamente, é como se o tempo não tivesse passado. As risadas, as brincadeiras, as conversas profundas... tudo flui como se fossem ontem que estavam juntos na sala de aula.

E nesse Natal, nós nos se encontram para celebrar não apenas a amizade, mas também a fé e a esperança que os une. A luz que chegou com o nascimento de Jesus é a mesma que brilha em nossos corações, iluminando o caminho e guiando-os através dos desafios da vida.

"Pois a luz brilha nas trevas, e as trevas não a venceram." (João 1:5) Essa luz é a esperança da ressurreição e da vida eterna, um presente precioso que nos foi dado por meio de Jesus.

No meio de tanta alegria, não podemos esquecer o motivo principal dessa celebração: a amizade que nos une. Amizade essa que, apesar do tempo e da distância, permanece forte e verdadeira.

Que a luz de Jesus brilhe sempre em nossos corações e que a amizade que nos une seja eterna!

(*) Mensagem final do Reencontro dos ex-alunos do CEJM - Turma de 73

 

 

 

 

 



E AINDA SOMOS NÓS… CEJM 1973


Dizem que o tempo passa...Mentira. O tempo corre, tropeça, dá risada, muda o cabelo da gente... Aqui, cada rosto traz um passado comum e um presente singular. Há cabelos brancos onde antes havia pressa. Há olhares mais profundos, sorrisos mais conscientes, abraços que dizem mais do que palavras. Este reencontro é mais do que nostalgia. É gratidão.

Gratidão pela vida que nos permitiu chegar até aqui. Pela amizade que sobreviveu à distância. Pela certeza de que, mesmo depois de tantos anos, ainda pertencemos uns aos outros.

Reencontramos não apenas para recordar, mas para celebrar. Celebrar a escola que nos uniu, as amizades que resistiram ao tempo, as histórias que nos marcaram e a fé que, de algum modo, continuou nos sustentando.

Quarenta e poucos anos depois, continuamos a olhar uns para os outros e pensamos: “Eu conheço esse rosto… só não lembrava que ele vinha com cabelos grisalhos, óculos, dores na lombar e histórias repetidas.”

Aqui estamos nós: um ex-professor de alguns - aquele que roubou o coração de sua ex-aluna - com outros que dividiram cadernos, merendas, castigos, risadas proibidas e aquela sensação de que a vida começava logo depois do portão da escola.

Havia os quietos, os falantes, os líderes, os que só seguiam e os que nunca seguiram regra nenhuma - e continuam firmes nesse ministério até hoje. Na sua maioria, quase que absoluta, muito estudiosos. Disputavam para ganhar o título de CDF...

A vida nos levou para longe, nos testou, nos venceu algumas vezes, nos ensinou a perder, a recomeçar e, principalmente, a rir de nós mesmos.                             

E hoje ela teve a ousadia de nos chamar de volta, dizendo:
“Venham ver o que vocês se tornaram...”

E vieram com histórias de filhos, netos, fé amadurecida, saudades bem guardadas e gargalhadas que continuam iguais - só um pouco mais altas, porque agora ninguém precisa pedir silêncio.

Percebemos que o CEJM não foi apenas uma escola. Foi um ensaio de vida.
Ali aprenderam matemática, português… e a difícil arte de conviver, perdoar, sonhar e continuar amigos mesmo quando a vida tenta nos desencontrar.

Se alguém perguntar o que aconteceu aqui hoje, a resposta é simples: Nada demais. Apenas um grupo de jovens de 1973 provando que a amizade não envelhece - fica vintage.

Que este reencontro não seja um ponto final, mas uma vírgula animada, dessas que dizem: “Ainda temos capítulos para escrever.”

E se o tempo insistir em passar rápido, que ele passe. Nós já sabemos onde nos encontrar.

E se falamos de capítulos para escrever desta história, pensei:  é preciso criarmos mais protagonistas desta história. afinal cada um de vocês é história e ao mesmo tempo, faz parte dela. Por isso, convido a cada um que esteve aqui e também aqueles que não puderam vir, para dar a sua contribuição na construção desta história, contando-nos as suas impressões de tudo que se relaciona com esse grupo CEJM 1973. Desta forma, a cada reencontro vamos registrar coletivamente as pérolas dos mesmos. Então, vou terminar essa crônica começando a registrar a minha lavra, na esperança de receber relatos de vocês para adicionarmos à história abaixo:

ATA OFICIAL DAS AUSÊNCIAS E PRESENÇAS

AO REENCONTRO NA CASA DE SOCORRO

Todo reencontro começa com quem veio, mas, só fica completo quando a gente começa a falar de quem não veio.

Comecemos por Caetano, ausência sentida e estrategicamente justificada.
Disse que não veio por motivo de trabalho. Mas há fortes, fortíssimas suspeitas - quase uma confissão coletiva - de que ele optou por um turno extra… na companhia de uma nova namorada...Poderia tê-la trazido com ele para a conhecermos pessoalmente... e não pela foto capturada pelo nosso fotógrafo e investigador: O Nequinha.

O detalhe constrangedor é que este anfitrião aqui construiu um elevador especial, inspirado na engenharia suíça, só para recebê-lo. Eduardo Quaresma, não testou, mas aprovou a ideia e, inclusive, sugeriu que enviássemos a fatura para o Caiufora, digo, Caetano...  Que fique registrado: O amor venceu a acessibilidade... e, contra o Amor não se pode lutar!

Outra ausência que doeu no coração - e nas piadas - foi a do mascote oficial do grupo, pai da Mileana, o Fábio Volante. Mileana não veio com o seu marido Luís, uma vez que ele teria feito uma cirurgia. Dessa forma, virou babá do Pai e do marido em Divinópolis, uma vez que o Fábio adoeceu e teve que colocar um marca-passo - Um castigo injusto para alguém que sempre fez o coração da gente bater… de tanto rir.

Tentamos substituí-lo, mas sejamos honestos: não houve competência técnica nem espiritual para ocupar aquele lugar. Ele fez falta. E riu de nós à distância, com certeza

Pena que algumas pessoas  que moram em Monlevade não compareceram, porém justificaram; como Dorinha e Juninho, Wilck e Mônica, Girlene, Sãozinga e Marco Aurélio e outros mais...

Mas se alguns faltaram, outros chegaram causando...

A Ione, por exemplo, apareceu com um vestido vermelho que fez o reencontro parecer um evento internacional.


A dona da casa - também entrou no clima, porque afinal, nostalgia não combina com bege.

É sabido que muitas pessoas, diante de tantos compromissos de fim de ano, fizeram das tripas o coração para estarem presentes nesse reencontro. A Neidinha e o Gabriel “voaram” de São Paulo, às pressas, para não perderem a oportunidade de compartilhar a sua alegria conosco...

Diretamente de Curitiba, tivemos Nequinha, o homem que não só veio para a festa, mas também para o registro histórico oficial, com um “obrigado!” sempre ao requisitar uma foto e sempre acompanhado de um bom vinho e na companhia de uma paranaense, que está virando coxa. Fotografou tudo, filmou tudo, não perdeu um lance, um gole, um olhar suspeito. Se alguém negar alguma coisa amanhã, saibam: Nequinha tem provas.

E por falar nisso, boa parte das “mocinhas” da festa tiveram seus pés  e algumas pernas fotografadas... Seria um remake de CINDERELA?

E como todo reencontro precisa de uma história que ninguém esquece, entra em cena Cida Resende, com o caso do cachorro vira-latas que mordeu a mangueira de gasolina do seu carro. Um cachorro raro. Um carro azarado.
Uma mangueira que hoje é difícil de encontrar no mercado, porque, como aprendemos:

Nem todo cachorro morde mangueira de gasolina... como disse o João da Ângela.

E, por falar em Ângela, novamente ela ganhou o troféu de mais animada e, se não tiver música, ela dança assim mesmo...

E não é que a Cida estava inspirada, mesmo? Ela sabe ser séria quando precisa: Tascou um belo discurso de agradecimento aos anfitriões, lembrando que as opções vão aumentando cada vez mais de se montar um reencontro. Já pensaram num bate sem voltar cedo no Rio, em plena Região dos Lagos e depois seguirmos para Curitiba? O Whgtmam e o Nequinha que nos aguardem...

Não se pode esquecer a história dos 7 filhotes de gambá, abandonados num ninho dentro da churrasqueira da casa da Socorro, durante a limpeza da mesma para a festa de aniversário de sua filha. Qualquer expert em churrasco vai dizer: Que doideira é essa? Não se lava churrasqueira, tira-se apenas o excesso as cinzas, coloca-se o carvão e fogo nele... O meio ambiente agradeceu por 7 vidas salvas... Já pensaram que sabor teria aquele churrasco?

A Elizete postou lá no grupo que estava passando mal ...Para a nossa surpresa, ela apareceu, ficou um pouquinho, saiu à francesa e depois retornou com energias renovadas. Hein ????

Vou parar por aqui mesmo senão ganho uma alcunha de fofoqueiro, sendo apenas um observador... Tanto é que não posso deixar de registrar a simplicidade, o carinho, o carisma da Alzira do pudim de pão e da feijoada da saudade... E já parei....

Foi nesse nível que chegamos. E foi exatamente por isso que valeu a pena...

Quarenta e tantos anos depois, percebemos que envelhecemos…
mas não melhoramos - e isso é um elogio.

Seguimos amigos, seguimos exagerados, seguimos contando histórias que aumentam a cada reencontro. Seguimos rindo das ausências, celebrando as presenças e provando que o CEJM 1973 não é apenas um grupo: É um estado permanente de espírito.

Que o próximo reencontro tenha:

  • Caetano presente (ou assumido),
  • O mascote com marca-passo e microfone,
  • Vestidos ainda mais ousados,
  • e histórias ainda menos confiáveis.

Porque, no fundo, é isso que nos mantém vivos, unidos e perigosamente felizes.

CEJM 1973.
Ainda juntos.
Ainda rindo.
Ainda impossíveis.
Ainda somos nós.
E isso é tudo....

 

 

sábado, 5 de julho de 2025



                                        A FEIJOADA DA SAUDADE



Depois de dois anos sem escrever aqui, retorno a esse blog para exaltar uma brilhante ideía surgida  de um grupo de ex-alunos do CEJM há algum tempo atrás: reunir uma turma que teria estudado junto em 1973 para religar e consolidar aqueles laços de amizade. Eu, como marido de uma ex-aluna daquele  grupo e ex-professor de alguns deles, resolvi registrar em uma crônica o encontro desse ano sob o título de Feijoada da Saudade, assim como poderia ser a República da Feijoada.

Em 1973, eles dividiam carteira, caderno e travessuras no pátio do Centro Educacional de João Monlevade, uma escola que, hoje, mora na memória e no coração daqueles menestréis entusiastas. A ideia partiu do Caetano – aquele mesmo, do fundão da sala, que agora é PHD em Agronomia e que jura que aprendeu cálculo olhando pela janela. Foi ele quem, num acesso de nostalgia e saudade bem temperada, decidiu reunir com Alzira, Eduardo Quaresma, Elizete e a minha Neguinha  para reviverem os tempos da pré-adolescência e adolescência. E, como bons mineiros teimosos, juntamente com um aqui e outro ali fizeram florescer a ideia, fazendo disso uma tradição.

A "Tetéia", chácara da Alzira do pudim de pão que é mais gostoso que o do Afonso, autor dessa lavra, foi escolhida novamente como palco do reencontro. A Ângela, a Anjinha, que nada de anjo tem, a não ser as mãos de fada para transformar o que os senhores feudais não queriam, em uma bela feijoada. A panela fumegando, o cheirinho do bacon dourando no fogão, a roda de samba se armando devagarzinho debaixo da mangueira, e os abraços... ah, os abraços! Aqueles que vêm com um sorriso largo, olhos que brilham mais que o sol de junho e frases que começam com "lembra daquela vez que...?".

Aos poucos, a turma vai chegando, uns mais, outros menos ressabiados, mas é só atravessar o portão da chácara para que todos voltem a ser adolescentes de novo. Professores, empresários, dentistas, engenheiros, donas de casa, artistas... tudo se dissolve diante da lembrança do recreio. Voltam os apelidos, as piadas internas, os segredos sussurrados nas tardes de aula de geografia.

Quando chegamos, eu e a Neguinha de carona com a Dorinha do Juninho, já tinha muita gente lá preparando o regabofe, enquanto os demais proseavam: Eduardo Quaresma, Yone, Maristane, Eni, Cida Resende, Renato Drumond, Sãozinha, Nequinha, Neide, Genivaldo, Márcio ( aniversariante  que deu o primeiro pedaço do bolo para a Maristane – aí tem coisa!!!) E foram chegando o Miltinho,  o Edimar, a Margarete, Mariana, o Edmílson, trazendo o Fábio Franca, pai da Mileana - segundo os demais ele já teria se tornado um mascote da turma - com a sua voz de tenor à la Nelson Gonçalves; chegou também o Cáril e sua esposa Edilene ( Há quanto tempo não os via...). É ...  e os cônjuges se fazendo presentes, dando aval àquele reencontro, se encaixando perfeitamente naquele espírito de comunhão fraterna. E como isso é fundamental para o sucesso daquela reunião saudosista!!!

E assim, ao som do tilintar dos copos e das cantorias das “meninas” autorizadas pela "ALEXA" a balançar a Sapucaí, que depois se transformou “naquela mesa tá faltando ele ...” e numa grande seresta brindando à amizade. E assim, fica a certeza: algumas escolas não começam nem terminam com o sino do princípio e nem do fim da última aula. Algumas continuam, firmes e saborosas, como a feijoada da Ângela– onde, a cada colherada, se saboreia o passado com gosto de eternidade.

Tem sempre aquele que lembra de tudo, o outro que não lembra de nada, e o que ainda traz xerox das fotos amareladas. Uns têm cabelos brancos, outros, quase nenhum. Alguns se veem sempre, outros só nessa ocasião, mas ninguém se sente de fora ... que encanto, o Nequinha, vindo lá de perto do do Chuí... Segundo a minha Neguinha, o dito já transitou muito por aqueles lados da Tôrre Eifel ... ( Êpa, não é que degustei um licor Francês?) - Um verdadeiro marqueteiro e registrador-mor do encontro que não perdia um flash ... E não é que todos foram premiados, mais uma vez, vendo, vivendo e revivendo os momentos do encontro através dos vídeos e fotos tão bem preparados por ele? Nas palavras da Eni, "... sorrisos são reflexos da explosão de amor!"

Naquela chácara, o tempo parece parar e a escola volta a existir – não mais como prédio, mas como presença viva em cada história contada entre uma colherada de feijoada, regada de caipirinha, cerveja, vinho e a famosa água ardente, tão bem definida pelo Dr. Honoris Causa em Agronomia, Caetano de la Ferrari.

A cada ano, um novo motivo para brindar. Às vezes a chegada de um neto, outras vezes o reencontro com alguém que nunca tinha vindo... Há também o silêncio respeitoso por aquele que não pôde vir ... que pena, mas a cadeira dele sempre está reservada nas lembranças...

E quando o dia vai terminando e o céu começa a se pintar de laranja ... a fogueira já foi acesa e a resenha continua até chegar aquele momento inevitável: o da despedida de alguns que não pernoitariam por lá. Trocam-se promessas de não deixar a tradição morrer, porque, mais do que um almoço, aquele encontro é uma ponte. Uma ponte entre o que foram e o que ainda são, entre o ontem e o agora.

No domingo eu já não estava lá, mas imagino as resenhas nas lembranças do dia anterior entre os resistentes, incansáveis, aqueles que sempre são os primeiros a chegar e os últimos a sair; que antes de fechar as cortinas ainda tiveram fôlego para fazer um balanço melhor que este escrivinhador... Mas uma coisa eu vou dizer e, com certeza, não ficarei sozinho nessa: a nossa anfitriã, Zizi, sabe como receber com maestria, com o zêlo daquela mãe afetuosa, onde o olhar e o sorriso entregam, com docilidade, a satisfação de rever os filhos que retornam àquela casa...

Há quatro anos, um tratado silencioso – mais eficiente que qualquer acordo de paz internacional – reina soberano numa chácara afastada e ou em qualquer lugar que seja marcado tal encontro, onde se reúne uma turma que, em 1973, aprendeu a conjugar o verbo “aprontar e vencer" com maestria. Esses encontros viraram ritual, onde o tempo retrocede e os cabelos – mesmo os que não resistiram aos anos – balançam ao vento como na juventude.

Mas o segredo desse reencontro não está só na feijoada fumegante ou nas cantorias que brotam sob a mangueira. Está no pacto não escrito, porém sagrado: ali, não se fala de política, religião ou futebol. São os três tabus, os três cavaleiros do apocalipse da harmonia. Nessa República da Feijoada, essas bandeiras ficam do lado de fora, penduradas no retrovisor do carro, junto com os estresses da semana. Cria-se novas bandeiras com as máximas: Aqui impera a Política da boa Amizade, a Fé em Deus e uma torcida única: Turma de 1973.

A verdade é que essa turma entendeu, com os anos, que existe um território onde as diferenças não são ameaças, mas paisagens, onde a lembrança do professor Guido Valamiel corrigindo a pronúncia de “houveram problemas” é mais poderosa que qualquer opinião sobre Brasília. Onde o passado comum vale mais que as certezas do presente.

Naquela tarde, em que os pássaros cantam entre uma colherada e outra, todos são apenas ex-alunos. Nenhum título, nenhuma ideologia, nenhum time. Só histórias cruzadas e risos que parecem vindos direto dos corredores da escola.

E talvez essa seja a verdadeira lição que trouxeram da infância: que existe um lugar onde podemos simplesmente ser. Sem precisar provar nada, nem convencer ninguém. Apenas sentir o gosto da amizade e do amor, mais fortes que qualquer feijão temperado. E isso, sim, é patrimônio imaterial da turma de 1973.

(*) Se vc não foi lembrado, perdoe-me, pois não convivi com todos vocês naqueles tempos, nem agora, mas algo me diz que vamos nos encontrar mais vezes para construir novas amizades...